ENTRE TOPOFILIA E PERDA: NARRATIVAS DE ANTIGOS MORADORES SOBRE O IGARAPÉ DO ESPÍRITO SANTO EM COARI-AM

Autores

  • Hernilson da Silva Lima Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil Autor
  • Cláudia de Souza Castro Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil Autor
  • Arlindo de Almeida Mitouso Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (SEDUC-AM), Brasil Autor
  • Luzivaldo Mendonça de Souza Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil Autor

DOI:

https://doi.org/10.46550/asd02m61

Resumo

Este artigo analisa, a partir das narrativas de antigos moradores do Bairro Espírito Santo/Morro, em Coari-AM, as transformações socioambientais e territoriais associadas ao Igarapé do Espírito Santo. O estudo parte do entendimento de que, em cidades do interior amazônico, a degradação de cursos d'água urbanos não representa apenas um problema ambiental, mas também uma ruptura nas experiências de lugar, pertencimento e memória. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter descritivo-interpretativo, com trabalho de campo realizado em abril de 2024. Foram ouvidas 5 famílias residentes no bairro, com participação de 1 a 6 integrantes por núcleo familiar, selecionadas com base no critério de longa permanência na localidade. A produção dos dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e observação direta em campo. Teoricamente, o estudo apoia-se na Geografia Humanista, especialmente nas contribuições de Yi-Fu Tuan e Edward Relph sobre lugar, topofilia e topofobia, articuladas às discussões sobre memória em Bosi, Thompson e Alberti, e às reflexões sobre territorialidade e urbanização amazônica em Haesbaert e Becker. Os resultados evidenciam que o Igarapé do Espírito Santo ocupou posição central na vida comunitária, constituindo-se como espaço de pesca, banho, lavagem de roupas, consumo de água, convivência e forte vínculo afetivo. As narrativas revelam, contudo, que a abertura de vias, o aterramento de trechos do igarapé, a supressão de nascentes, a poluição e o crescimento urbano desordenado reconfiguraram material e simbolicamente esse espaço, produzindo deslocamentos da topofilia para experiências marcadas por perda, estranhamento e topofobia. Conclui-se que a transformação do igarapé expressa não apenas dano ecológico, mas também ruptura territorial e fragilização de vínculos históricos e identitários com o lugar, ao mesmo tempo em que a memória dos moradores atua como forma de resistência simbólica ao apagamento dessa paisagem.

Biografia do Autor

  • Hernilson da Silva Lima, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil

    Mestre em Ensino de Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas.

  • Cláudia de Souza Castro, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil

    Especialista pela Faculdade Facuminas.

  • Arlindo de Almeida Mitouso, Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (SEDUC-AM), Brasil

    Mestre em Ensino de Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

  • Luzivaldo Mendonça de Souza, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil

    Especialista pela Faculdade Única de Ipatinga.

Publicado

2026-08-07

Edição

Seção

Artigos