AVALIAÇÃO EM LARGA ESCALA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA: TENSÕES ENTRE EQUIDADE, PADRONIZAÇÃO E DIREITO À APRENDIZAGEM
DOI:
https://doi.org/10.46550/gyf14209Resumo
As avaliações externas em larga escala assumiram posição estratégica nas políticas educacionais brasileiras, produzindo indicadores utilizados no acompanhamento da aprendizagem, na formulação de políticas públicas e na organização dos sistemas de ensino. Ao mesmo tempo, a consolidação da educação inclusiva ampliou o reconhecimento do direito de todos os estudantes à participação, à aprendizagem e à permanência na escola comum. A convivência entre esses dois movimentos, entretanto, produz tensões quando instrumentos construídos a partir de parâmetros comuns de desempenho são aplicados a estudantes cujas trajetórias escolares, formas de comunicação e modos de aprender são heterogêneos. Este artigo analisa as relações entre avaliação externa, equidade e educação inclusiva, com atenção à participação do público da Educação Especial no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP). Trata-se de estudo qualitativo, bibliográfico e documental, desenvolvido mediante análise interpretativa de documentos normativos e produções acadêmicas relacionadas à avaliação educacional e à inclusão. A discussão demonstra que houve avanços importantes quanto à acessibilidade e à participação dos estudantes, mas permanecem limites relacionados à padronização dos critérios de desempenho e à interpretação dos resultados. Argumenta-se que a presença do estudante nos exames não garante, por si só, equidade avaliativa. Para que a avaliação contribua efetivamente para uma escola inclusiva, seus resultados precisam ser interpretados em articulação com o contexto pedagógico, as barreiras enfrentadas e os diferentes percursos de aprendizagem.
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