A APATIA CONTEMPORÂNEA: A FADIGA DA COMPAIXÃO E O COLAPSO DA SENSIBILIDADE ÉTICA NA ERA DA INFORMAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.46550/m6cqpb28Resumo
O artigo analisa a apatia contemporânea como expressão da fadiga da compaixão e do colapso da sensibilidade ética na era da informação. A partir de um diálogo entre filosofia, sociologia e educação, discute-se como o excesso de imagens e de estímulos transformou o sofrimento humano em espetáculo e esvaziou a experiência da empatia. A saturação da dor, ao invés de mobilizar, produz indiferença, convertendo a compaixão em emoção superficial e a solidariedade em gesto performático. Com base em autores como Sontag (2003), Bauman (2017), Han (2015, 2021) e Debord (1997), o estudo identifica que a hipervisibilidade do sofrimento conduz a uma anestesia moral, na qual o outro deixa de ser presença e torna-se imagem. Em contraponto, pensadores como Lévinas (1993), Arendt (2007), Freire (1996), Frankl (2019) e Larrosa (2002) oferecem caminhos para restaurar a dimensão ética do sentir, compreendendo o cuidado, o diálogo e a presença como fundamentos da humanização. Defende-se que a educação, concebida como espaço de experiência e hospitalidade, pode reativar o vínculo entre pensamento, corpo e afeto, resistindo à lógica da produtividade e da indiferença. O texto propõe, portanto, uma pedagogia da sensibilidade capaz de reconstituir a alteridade e resgatar a esperança ativa em tempos de cansaço moral. Em meio à saturação emocional e ao esgotamento ético, reaprender a sentir torna-se o gesto mais urgente da contemporaneidade — não como emoção efêmera, mas como prática política e existencial de resistência e reconstrução do humano.
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